12 de nov. de 2009

O Ferreiro

"Era uma vez um ferreiro que, após uma juventude

cheia de excessos, resolveu entregar sua alma a Deus.


Durante muitos anos trabalhou com afinidade,

praticou a caridade, mas, apesar de toda sua dedicação,

nada parecia dar certo na sua vida.
Muito pelo contrário:

Seus problemas e dívidas acumulavam-se cada vez mais.

Uma bela tarde, um amigo que o visitara , e que se compadecia de sua situação difícil , comentou:


- "É realmente estranho que, justamente depois que você resolveu se tornar um homem temente a Deus,
sua vida começou a piorar.


Eu não desejo enfraquecer sua fé,
mas apesar de toda a sua crença no mundo espiritual, nada tem melhorado".

O ferreiro não respondeu imediatamente.


Ele já havia pensado nisso muitas vezes,
sem entender o que acontecia em sua vida.

Entretanto, como não queria deixar o amigo sem resposta,
começou a falar e terminou encontrando a explicação que procurava.



Eis o que disse o ferreiro:


- "Eu recebo nesta oficina o aço ainda não trabalhado

e preciso transformá-lo em espadas.


Você sabe como isto é feito?


Primeiro eu aqueço a chapa de aço num calor infernal,
até que fique vermelha.

Em seguida, sem qualquer piedade, eu pego o martelo mais pesado e aplico golpes até que a peça

adquira a forma desejada.



Logo, ela é mergulhada num balde de água fria

e a oficina inteira

se enche com o barulho do vapor, enquanto a peça estala

e grita por causa da súbita mudança de temperatura.


Tenho que repetir esse processo até conseguir

a espada perfeita: uma vez apenas não é suficiente".


O ferreiro deu uma longa pausa,
acendeu um cigarro e continuou:


"As vezes, o aço que chega até minhas mãos
não consegue aguentar esse tratamento.
O calor, as marteladas e a água fria terminam por enchê-lo de rachaduras.


E eu sei que jamais se transformará numa boa lâmina de espada.
Então, eu simplesmente o coloco no monte de ferro-velho que você viu na entrada de minha ferraria."



Mais uma pausa e o ferreiro concluiu:


"Sei que Deus está me colocando no fogo das aflições.
Tenho aceito as marteladas que a vida me dá,
e às vezes sinto-me tão frio e insensível
como a água que faz sofrer o aço.



Mas a única coisa que peço é:


"Meu Deus, não desista,
até que eu consiga tomar a forma
que o Senhor espera de mim.


Tente da maneira que achar melhor, pelo tempo que quiser
- Mas jamais me coloque no monte de ferro-velho das almas".



(Autor Desconhecido).

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